Esta semana estou de férias. Hoje em dia consigo usufruir verdadeiramente do meu tempo de férias. Mas nem sempre foi assim.

Durante muitos anos era muito difícil desligar, era muito difícil fugir à tentação de planear as férias ao milímetro (ou como quem diz, ao segundo). Gostava de ter tudo dentro dos horários previstos, dentro das minhas expetativas, dentro daquilo que tinha mesmo de acontecer.

Além disso, dificilmente desligava e usufruía, tentava a todo o custo saber de tudo e de todos relativamente ao meu negócio, e nunca, mas mesmo nunca desligava! E pior que isso, na realidade quando desligava (por breves momentos) até me ficava a sentir mal por isso! E se estivesse a falhar com alguém, e se alguém estivesse a precisar de mim e eu não estivesse disponível?

Sei que como eu, há muitas mulheres assim. Então as empreendedoras muitas vezes sofrem deste desafio. “E se estiver a perder oportunidades de negócio, enquanto estou na praia?”

Este pensamento é terrível para qualquer pessoa. Estamos sempre ausentes do nosso presente. Nunca usufruímos das férias e do tempo de fazer nada.

Um dia, estava eu na praia com os meus filhos, num dos muitos dias que planeei ao segundo, num dos muitos dias em que ao telefone tentava controlar o que estava longe e o meu filho mais velho diz: “Mãe porque não estás de férias connosco?” Fiquei quieta e em silêncio, subiu em mim um misto de tristeza e revolta – “Como era possível ele dizer isso, a mim que fazia tudo por eles, até trabalhava enquanto estava de férias!” “Eu que tinha tantas responsabilidades! Claro que não conseguia desligar!” pensava eu para mim, enquanto ele, bem mais pequeno do que é hoje (hoje já me ultrapassou em altura), com o mesmo olhar doce de sempre, esperava.  

Rapidamente cai na realidade e percebi que ele tinha toda a razão! Estava a perder os únicos momentos em que tinha a minha família para mim! Estava a querer estar em todo o lado e não estava em lado nenhum.  Respondi: “Tens razão filho, tenho de entrar de férias!”

Desde esse momento, fiz um esforço (sim porque nessa altura ainda era preciso fazer esforço) e comecei lentamente a desligar. Percebi que habituei a minha cabeça a não desligar e por isso tinha de controlar a minha vontade de planear tudo, de controlar tudo e saber tudo.

Comecei a treinar a minha cabeça a usufruir e passo a passo cheguei onde estou hoje. De férias, a usufruir totalmente da minha família, sem grandes planos, a viver em completa paz e tranquilidade.

Sim e vais dizer “Então, mas estás a escrever este artigo!!”. Pois estou, num dos poucos momentos que me permiti ligar ao trabalho e ao que amo fazer. E faço-o em consciência e em tranquilidade. Porque é importante partilhar este meu percurso!

E tu? Como vives as tuas férias? Consegues usufruir? Ou tens de começar a treinar a tua mente?

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